O Zero Trust Network Access (ZTNA) deixou de ser tendência emergente para virar padrão de acesso remoto corporativo. O mercado saiu de US$ 2,0 bilhões em 2025 rumo a US$ 11,0 bilhões em 2033, e a Gartner projeta que ao menos 70% das novas implementações de acesso remoto passem a se apoiar em ZTNA em vez de VPN. Este artigo mostra o que está por trás dessa migração, como a arquitetura funciona e o que líderes de TI precisam decidir agora.
O estado do mercado: ZTNA em números
O deslocamento é mensurável. Segundo a Grand View Research, o mercado global de ZTNA foi avaliado em US$ 2,0 bilhões em 2025, com estimativa de US$ 2,4 bilhões em 2026 e projeção de US$ 11,0 bilhões até 2033 — um crescimento composto (CAGR) de 24,2% no período 2026–2033.
A velocidade de adoção reforça o quadro. O Market Guide for Zero Trust Network Access da Gartner registrou crescimento de 87% na receita de ZTNA entre 2021 e 2022, e de 51% entre 2022 e 2023. A adoção é mais forte em grandes organizações (acima de 25 mil usuários) e no midmarket, e mais concentrada em América do Norte e Europa Ocidental.
Não é hype: é realocação de orçamento de segurança de rede saindo do modelo de perímetro para o modelo de verificação contínua.
Por que a VPN está sendo aposentada
A VPN (Virtual Private Network) foi projetada para um mundo que não existe mais: poucos usuários remotos acessando uma rede corporativa de perímetro bem definido.
Ao autenticar o usuário e entregar acesso amplo à rede, ela viola o princípio de menor privilégio — quem entra, enxerga demais.
Três pressões aceleraram a troca:
- O trabalho híbrido dissolveu o perímetro;
- As aplicações migraram para múltiplas nuvens e SaaS, fora do data center; e
- O movimento lateral de atacantes dentro da rede tornou-se o vetor mais caro de incidentes.
A Gartner aponta a substituição da VPN como a principal motivação das empresas que avaliam ZTNA.
O ponto de virada é conceitual: em vez de “confiar depois de conectar”, o ZTNA parte de “nunca confiar, sempre verificar”.
Como funciona a arquitetura Zero Trust Network Access
O ZTNA implementa o princípio Zero Trust no acesso a aplicações. Em vez de expor a rede, ele concede acesso a aplicações específicas, uma a uma, após validar identidade e postura do dispositivo — e reavalia essa decisão de forma contínua, não apenas no login.
Na prática, um intermediário de confiança (trust broker) fica entre usuário e aplicação. Ele verifica identidade (integrada ao provedor de identidade), avalia contexto — dispositivo, localização, risco — e só então libera uma conexão isolada para aquela aplicação. As aplicações ficam “escuras” para quem não foi autorizado, reduzindo drasticamente a superfície de ataque exposta à internet. A microssegmentação limita o movimento lateral: comprometer um acesso não abre a rede inteira.
O ZTNA raramente é adquirido isolado. Ele é o componente de acesso dentro de arquiteturas maiores de SSE (Security Service Edge) e SASE (Secure Access Service Edge), que convergem segurança e rede na borda.
No Magic Quadrant de SSE da Gartner, fornecedores como Netskope, Palo Alto Networks e Zscaler figuram entre os líderes, e a própria Gartner passou a publicar um Magic Quadrant específico para plataformas SASE — sinal de que o mercado se consolida em plataformas, não em produtos avulsos.
O ecossistema é amplo e multivendor, incluindo ainda Cisco, Fortinet, Cloudflare, Cato Networks e Appgate, entre outros.
Implicações práticas: padrões de implementação e o que a evidência mostra
Os casos de uso documentados convergem para quatro padrões:
- Substituir a VPN de acesso remoto;
- Dar acesso seguro a terceiros e fornecedores;
- Isolar acesso a ambientes multinuvem;
- Reduzir o risco de movimento lateral em redes internas.
Para o líder técnico, a implicação prática é clara:
- exigir POC com métricas próprias — latência percebida, cobertura de aplicações legadas, integração com o provedor de identidade — em vez de aceitar o case do fabricante como garantia.
Para onde vai: convergência SASE e políticas orientadas por IA
A direção do mercado é dupla:
- Primeiro, consolidação: ZTNA, SWG, CASB e firewall como serviço se fundem em plataformas SASE/SSE únicas, reduzindo a quantidade de fornecedores que a equipe de rede precisa orquestrar.
- Segundo, políticas adaptativas: motores de decisão que usam sinais de risco em tempo real — e, cada vez mais, modelos de IA — para ajustar o acesso dinamicamente, em vez de regras estáticas.
Pontos de atenção
A migração não é indolor. Aplicações legadas e protocolos não-web frequentemente resistem ao modelo ZTNA e exigem conectores específicos. A dependência do provedor de identidade vira ponto único de falha crítico: se a identidade cai, o acesso cai. E concentrar acesso e segurança em uma única plataforma SASE cria dependência de fornecedor (lock-in) que precisa ser pesada contra o ganho de simplicidade. Zero Trust é jornada arquitetural contínua, não um produto que se instala e encerra o tema.
Conclusão
A substituição da VPN por ZTNA não é uma escolha de ferramenta — é a adoção de um novo modelo de confiança para a rede corporativa, no qual o acesso é concedido por aplicação, verificado continuamente e integrado à borda via SASE. Os números confirmam que o mercado já decidiu a direção; a decisão que resta aos líderes de TI é o ritmo e o desenho da migração, equilibrando redução de superfície de ataque, compatibilidade com o legado e o risco de concentração em um único fornecedor.
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